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O quem um jogo de futebol, a população e a corrupção tem em comum?

Já se passaram 31 dias desde o jogo entra Corinthians e Palmeiras na Arena Itaquera. No dia 22/02/2017 as 21h45, a tradicional quarta-feira de futebol, começa mais um jogo entre os dois maiores rivais do estado de São Paulo. E, para quem não concorda que esse é maior clássico do estado, só posso afirmar que você está errado.

Mas, dessa vez o meu glorioso alviverde foi derrotado. Em um jogo feio, nenhum pouco digno do título de maior clássico dos clássicos, vimos Jô marcar o solitário gol da partida. Mas, o que chamou atenção nesse jogo não foi a derrota do Palmeiras, a falta de capacidade tática é técnica dos times em campo, mas sim a falta ética dos jogadores do Palmeiras.

Em um lance no fim do primeiro tempo, o árbitro Thiago Duarte Peixoto, aplica o cartão vermelho ao jogador Gabriel, de forma injusta, e assim o volante corinthiano foi expulso de jogo. Para ser mais fácil a compreensão do lance, veja o vídeo abaixo.

 

Depois de assistir o vídeo a situação é de fácil entendimento: o juiz pressionado pelo momento, pela TV, pelos jogadores e comissão técnica do Palmeiras manteve a errada decisão e, dessa forma, prejudicou o volante que nada tinha com isso.

Qual seria a postura correta? Qualquer seria a postura digna? O que seria ético? Todas essas perguntas possuem apenas uma resposta: todos os que estavam envolvidos diretamente e indiretamente no lance, apontarem que Gabriel não era o culpado e, dessa forma, permitir juiz voltasse atrás e desfizesse a lambança que fez, para que o jogo continuasse.

Mas, infelizmente não foi isso que aconteceu. De forma covarde apontavam os dedos para Gabriel, pressionavam o juiz para que o mesmo fosse punido por aquilo que não fez e depois de conseguirem, seguiram o jogo como se nada tivesse acontecido.

Felizmente alguns torcedores em minha timeline do Twitter se sentiram envergonhados, afirmaram que o Palmeiras deveria ter voltado com um jogador a menos para tentar amenizar a palhaçada feita antes do intervalo. Mas, para minha tristeza, esses eram apenas alguns.

Para outros o que aconteceu “faz parte do jogo”, já que é preciso fazer de tudo para vencer. Vencer uma partida de futebol. Vencer uma partida de futebol, pelo que parece, já é o suficiente para que os jogadores que estavam em campo, para a comissão técnica e para parte dos torcedores que assistiam o jogo deixassem de lado valores morais e éticos, para atingir uma vitória.

Uma vitória que ironicamente não aconteceu. Pelo contrário, assistimos o Palmeiras tomar um gol ao fim do jogo. Seria o universo punindo aqueles que foram corruptos? Será? Talvez.

E, assim como os jogadores palmeirenses, cometemos pequenas corrupções todos os dias. Furamos o sinal vermelho, fazemos uma conversão ilegal, baixamos filmes e séries através de torrents ou programas como o Stremio. Compramos ingressos para shows, teatros e cinema com carteirinhas de cinema falsas.

Thiago Duarte Peixoto expulsa volante Gabriel injustamente

Thiago Duarte Peixoto expulsa volante Gabriel injustamente (Foto: Fernando Dantas/ Gazeta Press)

 

Chega-se ao absurdo de ter a consciência da irregularidade que comete, mas criam-se dezenas de desculpas para justificar e, em alguns casos, mostrar como o sistema nos obriga a sermos corruptos. Afinal, o sistema, sempre ele, é culpado de tudo.

Ou seja, o que vimos acontecer na noite do dia 22 não é estranho. A única diferença é que foi transmitido em rede nacional, escancarando a corrupção que acontece diariamente em nossas vidas “quando ninguém está olhando”.

Mas como bons seres humanos que somos, apontamos o dedo para culpar o primeiro que estiver ao nosso alcance. Mesmo que injustamente, vamos elencando os culpados e os jogando em fogueiras, enquanto escondemos embaixo do tapete nossas sagradas corrupções diárias.

O culpado da vez foi Thiago Duarte Peixoto, promissor juiz de futebol que viu sua carreira ser jogada no lixo após um erro. Sem o direito de resposta, defesa ou compaixão foi afastado e desde então não apitou mais jogos pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ou FPF (Federação Paulista de Futebol).

Leandro Karnal diz que só existe governo corrupto em uma sociedade igualmente corrupta. Concordo plenamente e acrescento, que a capacidade dê uma sociedade corrupta elencar culpados é inversamente proporcional de assumir seus próprios desvios.

A bruxa da vez foi Thiago, me pergunto quem será a próxima.