Search for content, post, videos
No caminho da evolução, onde a sensibilidade se perdeu?

No caminho da evolução, onde a sensibilidade se perdeu?

Estamos em 2015. Evoluímos. É o que dizem. Tem quem diga que já somos uma categoria diferente do saudoso Homo sapiens, pelo tanto que evoluímos nesses mais de 2000 anos que se passaram.

Mas aí surge intolerância, extremismo, egoísmo que colocam em cheque toda essa “evolução”. Evolução, entre aspas, afinal seria mesmo uma evolução?

Mas aí surgem intolerância, extremismo, egoísmo, que colocam em cheque toda essa “evolução”. Evolução, entre aspas, afinal, seria mesmo evolução?

O ser humano, hoje, se acha no direito de julgar, de definir destinos, de segmentar ou categorizar tudo e todos. O ser humano, hoje, acha que tem o direito de colocar um ponto final na vida de outro ser humano. Em que ponto da evolução isso ficou definido? Que momento foi esse, que deixei passar, em que foi estabelecido que eu posso decidir o que é melhor ou não, que eu posso matar ou deixar viver, que eu posso agredir ou deixar de agredir alguém por mais banais que os motivos sejam?

Onde foi declarado que eu posso agredir alguém na rua com um paralelepípedo? Onde ficou estabelecido que eu posso agredir uma pessoa com uma lâmpada fluorescente? Qual foi a autoridade que definiu que posso obrigar pessoas a terem relações sexuais? Quem definiu que as pessoas devem ser julgadas menos capazes, menos remuneradas ou simplesmente categorizadas como inferiores por serem de outro sexo? Em que momento ficou decidido que pessoas com um tipo físico são melhores que as outras?

Mas a pergunta que me surgiu, que realmente me motivou a escrever esse texto, é:

QUEM FOI O INFELIZ QUE DEFINIU QUE VOCÊ PODE AGREDIR UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA POR ELA NÃO TER OS MÍSEROS R$ 3,40?

Pra deixar clara minha indignação, colocarei a pergunta de forma mais curta e com o valor por extenso:

ONDE ESTÁ ESCRITO QUE UMA PESSOA PODE BATER EM ALGUÉM POR CAUSA DE TRÊS REAIS E QUARENTA CENTAVOS?

Ficou chocado amigo? Acho um absurdo? Mas foi isso o que aconteceu. Na verdade, foi pior: aconteceu e por muito tempo.

O cobrador de uma linha do Rio Janeiro, ser superior, supremo, acima de todas as escolhas, decidiu que Marcelo Barbosa – o agredido –, além de ser culpado, merecia uma punição. Num lapso de sanidade/arroubo de divindade, o cobrador definiu que uma sessão de 68 golpes seriam suficientes para que Marcelo nunca mais repetisse o hediondo crime de não ter R$ 3,40.

A história já é ruim, mas fica pior.

Marcelo tem esquizofrenia, estava no meio de uma crise. Não conseguia explicar o motivo de não ter o dinheiro. Mesmo assim foi julgado e condenado nesse pequeno tribunal instalado instantaneamente dentro de uma pequena van.

Sem direito a defesa, ele teve a pena decretada e executada pelo supremo, superior e divino cobrador da van. E, pior, a execução foi gravada, por alguém tão impiedoso ou até pior que o agressor. Afinal, assistiu e gravou. Deixou a humanidade de lado e assistiu friamente a uma pessoa ser espancada por um motivo que “banal” não é suficiente para descrevê-lo.

Por isso, repito a pergunta feita no começo desse texto. No caminho dessa evolução, onde a sensibilidade foi deixada de lado?

Se você ainda não entendeu o porquê de eu questionar a perda de sensibilidade, talvez já a tenha deixado para trás nesse caminho, que parece sem volta, da “evolução”. De novo, entre aspas.