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Efêmero

Efêmero

A gente fala “até amanhã!”.

Diz que no fim de semana vai comprar uma cadeira de computador nova, porque a velha já está se desfazendo.

Combina de ir, depois do trabalho, àquela hamburgueria que inaugurou na outra esquina.

Compra o ingresso da sessão das 22:30 pra assistir à pré-estreia do novo filme do Tarantino (mais uma vez indicado ao Oscar).

Coloca o nome na lista do futebol de amanhã e convida alguém da sua sala de aula para ir também, porque acha que não terá gente o bastante pra completar a pelada.

Promete ao filho que vai tirar a manhã desse domingo que vem só para jogar bola com ele, mas não antes de ele também jurar que vai fazer o dever de casa sem reclamar.

A gente diz que mais tarde se fala.

Marca (implora!) a manicure pra sexta às 18:45h (encaixada), porque sábado tem o casamento daquela amiga de infância e as unhas estão h-o-r-r-í-v-e-i-s.

Agenda para esse sábado a instalação do novo ponto da NET no quarto, para assim, finalmente poder assistir, todo esparramado na cama, à TV.

Estabelece que esse mês vai se livrar daqueles malditos quilinhos que parecem indiferentes ao circuito na praia (duas vezes por semana, mas que vai no máximo uma vez).

Programa o débito da conta de luz para o próximo dia útil.

Confirma a presença no aniversário de 40 anos do amigo que quase nunca vê.

A gente ousa em ter a certeza de que amanhã vai acordar e fazer tudo como sempre.

Esquece que sensação de controle é ilusória e basta somente um sopro do imprevisível para afetar o nosso cronograma rabiscado em papel de pão. Nesse caso, quando muito, resta arrumar a bagunça, se planejar, mais uma vez vão, e, principalmente, agradecer, pois há quem não tenha essa oportunidade. A esses, sobra a perplexidade de como um dia tão comum poderia ter se tornado numa marca indelével em suas vidas.

A gente…
Devia mesmo aproveitar hoje e viver, cada detalhe.

Acredite, não há tempo suficiente