Search for content, post, videos
Opaco

Opaco

Ele que sorri para todas as meninas. A sua risada, no ouvido de todos ecoa. Pobre mulheres dançam ao passo desta melodia. Navegam a mercê de sua vontade. Conforme o desejo dele elas bebem, beijam e transam feito cachorras. Algumas dizem que o Diabo está em seu corpo e move sua boca. As presas que cruzam seu caminho acabam sempre por ter o mesmo fim: desespero, choro e tristeza. A causa? Uma hora ou outra são trocadas por outra.

Nesse cortejo sem fim ele caminha nos bosques de concreto. O sátiro que caminha nesta selva de encontros e desencontros com ménades acaba por encontrar uma estrela. A única que não cede a seus cortejos. Esnoba sua vontade. Desesperado segue seu perfume, laçado pela necessidade de satisfazer-se. Na dança lasciva ela pinta e borda, fazendo dele seu servo. Agora encenando o papel de tolo, este se submete a tudo. Apenas para obter o sexo de uma noite com sua musa. Ela apenas regojizava com o cortejo. Entretanto uma hora acabava por se entediar. O suco foi extraído e portanto ela some como o perfume no ar. O motivo?  Buscar outra fruta mais doce, da mesma forma que ele fazia. O rei que agora é servo enlouquece. Procura de todas as formas satisfazer sua excitação. Desesperado por não gozar de seu libido, enforca-se. Este sacrifício lúdico é resultado do bruxo que bebe de seu próprio veneno.

Por fim, cada um acaba por receber o que merece.

  • Ana Catarina

    A serva cachorra saboreia o doce aroma de vingança ao saber que seu sátiro sucumbiu a outrem. Não, ela não teve o que merecia, mas sabe que um ser de caráter tão infame jamais seria merecedor de tão nobre sentimento que é o amor.