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The Walking Dead e eu: um relacionamento zumbi?

The Walking Dead e eu: um relacionamento zumbi?

Acompanhar uma série é muito parecido com estar em um relacionamento. Semana após semana, temporada após temporada, é o comprometimento mútuo que faz com que as coisas continuem funcionando entre show e espectador. Assim como em todo relacionamento, há um deslize aqui, uma falha ali, nada que não seja contornável. Mas há também aquele momento em que se sente que o fim da relação está irremediavelmente perto. Então, fica a pergunta: qual o sentido de ainda se assistir a The Walking Dead?

Um amigo certa vez disse: os roteiros dessa série são ótimos quando ninguém fala. As ações eram o grande chamariz. Se a palavra não é importante, o que fazer quando a ação começa a se tornar circular, repetitiva, errante? Pior ainda, um sinal inequívoco do esgotamento criativo de The Walking Dead é a presença cada vez maior de fatos meio Deus ex-machina: um tropeção aqui, um carro que não liga mais ali. Uma coincidência, até entendemos. Agora, uma sequência de acasos só pode ser obra da preguiça criativa. Não sabe como resolver uma questão? Acaso. Aquele personagem precisa mudar de postura? Taque-lhe uma coincidência.

The Walking Dead e eu: um relacionamento zumbi?Já faz bem umas duas temporadas que a série parece ter perdido qualquer ambição de ir para algum lugar. Ela virou apenas um apanhado de fatos que parecem se repetir na mesma estrutura, na qual mudam apenas os personagens que o núcleo duro da série encontra. Pior ainda, os personagens principais parecem não ter muito mais para onde evoluir, ao mesmo tempo em que também não se aponta nenhum tipo de saída maior para toda aquela situação. Uma cura? O fim de tudo? Nada, ficamos em suspenso acompanhando personagens tão errantes e débeis quanto os zumbis. Para que vivem então?
A estrutura um tanto circular até que não estava tão intolerável assim. O relacionamento com o espectador entrou naquele marasmo básico. Agora, os acasos já representam uma canalhice da qual não há muita escapatória. Às vezes, tal qual num relacionamento, é preciso perceber que não é mais que não consigamos extrair algo de bom daquilo, e isso sim que a relação faz mal. É como a canalhice de fazer com que Debra se apaixonasse por seu irmão em Dexter, um lance baixo, irremediável, que mostra apenas falta de respeito e desinteresse daqueles que escrevem a série.

Há uma célebre passagem no filme Annie Hall em que Woody Allen fala para a personagem interpretada por Diane Keaton que o relacionamento é como um tubarão, precisa estar em movimento para viver, mas que o deles é um tubarão parado. Comigo e com The Walking Dead a coisa parece ser pior, pois, assim como na série, na nossa relação há vida após a morte. Mesmo que seja uma vida zumbi. Estaria na hora do golpe fatal na cabeça?