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Anime Knights of Sidonia: Primeira temporada

Anime Knights of Sidonia: Primeira temporada

Não sou profundo conhecedor de animes. Acredito fazer parte do grupo que assistiu aos mais famosos, como Yu Yu Hakushow, Samurai X, Cavaleiros do Zodíaco (Santuário, Asgard, Poseidon, Hades, The Lost Canvas e Soul of Gold), Naruto, Beyblade, Pokémon e por ai vaí. Talvez os menos famosos que assisti tenham sido Hajime no Ippo, The Prince of Tennis e Dear Boys.

Por isso, posso deixar passar alguns pontos que, por questões pessoais, não tenham tanta relevância.

A proposta de Knights of Sidonia é bem interessante. Um drama com ficção científica, futurismo e uma grande dose de “a vida como ela é”. A produção não tem preocupação nenhuma em entregar finais felizes ou colocar seus personagens em situações nas quais eles possam ser salvos. Mortes são comuns no cotidiano dos Pilotos Guardiões de Sidonia. Por isso, pense duas vezes antes de se apegar a algum personagem.

Um fato muito interessante sobre o anime é sua preocupação com as informações, que não são poucas, e como o telespectador as absorverá. O modo encontrado para dar essas aulas sobre Sidonia foi utilizar o personagem principal como o receptor de tudo o que era novo, afinal, ele viveu por muito tempo excluído no subsolo de Sidonia.

Esse esquema didático se estende por toda a primeira temporada, fazendo com que a compreensão desse universo seja simples e objetiva, causando o mínimo de confusão possível. Um outro recurso utilizado pelo anime para auxiliar na assimilação das informações são os flashbacks. Links rápidos com o episódio anterior ou mais longos, como passagens que podem ter acontecido há centenas de anos atrás, mostram cenas com conversas, discussões, reflexões ou privações que os personagens passaram, esclarecendo qualquer lacuna que tenha ficado em branco.

A temporada tem um bom ritmo, que tem como facilitador o tempo de cada episódio – em torno de 22 ou 23 minutos. Tranquilamente, você consegue ver mais de um episódio atrás do outro, afinal, o telespectador fica preso à trama criada pelo autor.

A história é toda pautada na luta dos humanos contra os Gaunas, alienígenas que destruíram a Terra há milhares de anos, aparentemente sem motivo. Lutar contra esse extra-terrestres é complicado porque, para matá-los, é preciso acertar um ponto que fica entre sua cabeça e coluna, com uma arma especial chamada de Kabizashi. Esse é o básico do básico sobre a história do anime; se você quiser saber mais acesse esse outro post, onde comentamos mais sobre a trama, personagens e algumas curiosidades.

As batalhas contra os Gaunas são muito bem elaboradas. Em nenhum momento, os humanos conseguem elaborar planos mágicos e derrotá-los nos últimos segundos. Boa parte das lutas acabam com baixas e, em alguns casos, com muitas baixas. Há missões em que um esquadrão inteiro é aniquilado. E isso faz parte do desconhecimento que os humanos têm em relação a esses monstros. Assim, o personagem Gauna vai se construindo, no desespero e medo dos seres humanos que tentam resistir e contra-atacar de alguma forma. O ponto alto nesse desenvolvimento é quando percebe-se que os Gaunas são capazes de absorver e reproduzir, não mecanicamente, as habilidades humanas, aumentando ainda mais a dificuldade nessa luta que já não era nada fácil.

 

 

O anime constrói um ambiente de medo, cansaço e ansiedade de por um fim nessa era de guerras. As pessoas estão cansadas de lutar, a cada luta o número de baixas é maior, o que gera um desânimo que aumenta de episódio em episódio. Imerso nesse ambiente, é possível se compadecer dos desejos dos personagens por uma dias melhores e uma vida mais tranquila.

Há uma tentativa de desenvolvimento de romance na primeira temporada. Nada que tome grande parte da trama, mas que tem importância no desenvolvimento emocional de Nagate, o personagem principal.

Aliás, se existiu um defeito na primeira temporada, foi o foco em Nagate. A construção do personagem se estendeu por todos os episódios, colocando, dessa forma, os demais personagens em segundo plano. Quem mais “sofreu” com isso foi Izana, que, apesar de ser uma presença constante, teve seu desenvolvimento muito limitado por ficar à margem da estrela do anime. É como se o seu desenvolvimento não fizesse parte da história e apenas alguns pontos importantes fossem sendo colocados para justificar sua presença. Apesar de considerar isso um problema, é possível entender esse rumo na trama, já que Nagate é utilizado de forma didática pelo anime para explicar tudo o que há de novo e diferente na superfície.

A batalha no final da primeira temporada, além de revelar novidades tecnológicas, foi de tirar o fôlego. E, ao contrário do que parecia, uma boa surpresa foi que Nagate não foi decisivo no resultado. Foi importante, mas não decisivo. O poder coletivo, o desejo por dias melhores, por uma vida mais tranquila, isso foi o combustível deles na luta contra o Gauna que apareceu durante a temporada.

A primeira temporada foi de aprendizado, ambientação e muitas perdas no anime. Foi preparado um terreno nada promissor, por causa da grande quantidade de baixas. Provavelmente, haverá um foco maior nas relações interpessoais, principalmente entre Izana e Nagate, daqui para frente. Outros personagens, como Yuhata e Kunato, devem ganhar um pouco mais de destaque, ainda à margem de Nagate. Talvez Kunato saia um pouco mais e consiga um melhor desenvolvimento.

Foram abertas diversas lacunas para novos personagens; a relação de Saito com Nagate será mais explorada. Kobayashi, a Capitã, e o Conselho dos Imortais também precisarão ganhar mais evidência, para explicar pontos do passado que estejam diretamente ligados a Saito e, dessa forma, explicar a vida e possivelmente o futuro de Nagate.

Knights of Sidonia é um anime para prestar atenção.

Se deixar algum ponto passar batido, a história pode perder o sentido e ele pode se tornar chato. Um ponto a se valorizar é a trilha sonora, que se encaixa perfeitamente a cada situação do anime, criando uma conexão cada vez maior entre quem assiste e a situação com que os personagens se deparam na história.

A segunda temporada já está disponível no Netflix. Se liga no trailer: