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“Rush – No limite da emoção” vai além dos clichês para filmes de esporte

“Rush – No limite da emoção” vai além dos clichês para filmes de esporte

Geralmente filmes que tem esporte como tema ficam no clichê do protagonista e seu momento de superação, a luta contra inimigo perverso que joga sujo para vencer a qualquer custo. O personagem principal, geralmente bonzinho, fica com a mulher mais bonita é sempre dedicado, cheio de amigos e muito esforçado. Basicamente essa é a história do Karatê Kid e outros filmes.

Essa construção além de ser batida pode não passar de uma grande mentira.

Quem já praticou algum esporte com o sonho de ser profissional, sabe que sacrifícios são necessários. É preciso muito treino, dedicação, aperfeiçoamento, vontade. E isso tudo já é necessário quando você tem uma habilidade natural – chamado de “dom” por alguns -, agora imagine para quem é apenas “esforçado”. Tem que ser o dobro, o triplo da dedicação para atingir o nível de excelência necessário para ser profissional.

“Rush – No limite da emoção” mostra que há dois caminhos para o sucesso. O primeiro é ser talentoso, apaixonado e devoto pelo o que se faz, já o segundo caminho, geralmente mais complicado, é ser pragmático, esforçado, metódico e ter uma força de vontade que beira a insanidade.

E é dessa forma que são apresentados os dois pilotos responsáveis pela maior rivalidade, de todos os tempos, da Fórmula 1. De uma lado o habilidoso James Hunt, contra o esforçado Niki Lauda.

Para quem é fã do esporte, sabe que não estamos falando de desafetos como Alonso x Hamilton, Webber x Vettel ou Senna x Prost. Aqui a rivalidade serve de catalizador para os dois pilotos, não é apenas um duelo nas pistas, é um modo de viver. A competição entre eles, se tornou um modo de potencializar seus talentos, tornar a evolução contínua e sem limites, um puxando o outro. É nesse ambiente que o filme se desenvolve.

A construção dos personagens é feita de forma separada com a pista servindo de elo e transição entre as histórias dos personagens. Dificilmente fatos históricos sobre os dois pilotos são apresentados fora das pistas.

Em Rush não existem vilões ou heróis, todos são seres humanos em busca de um objetivo em comum: vencer.

James Hunt, interpretado por Chris Hemsworth, era intenso em tudo o que fazia. Adorava festas regadas a álcool e cigarros, sempre rodeados de belas mulheres que caracterizava seu lado mulherengo. Mas se o inglês tinha disposição para mulheres e festas, o dobro tinha para colocar na pista seu talento que era engrandecido por sua agressividade e vontade de vencer. Isso o distinguia e o colocava outro patamar na época.

O papel de Niki Lauda ficou na responsabilidade de Daniel Brühl. Nascido em berço de ouro, Lauda abriu mão da riqueza de sua família para seguir seu sonho de ser piloto. A falta de traquejo social o tornou um piloto frio e calculista, seu conhecimento, acima da média, em engenharia somado a sua personalidade metódica permitia que ele extraísse o máximo dos seus carros, aumentando sua confiança para conseguir vitórias.

 

Lauda: sempre reclamando de algo

Lauda: sempre reclamando de algo

 

Apesar do filme mostrar os pilotos em início de carreira, o ponto alto do filme vem no ano de 1976, quando eles disputam o título mundial. Lauda, que defendia o título com sua Ferrari, teve um início de temporada arrasador e colocava em cheque o talento de Hunt e capacidade da McLaren. Hunt, depois de iniciar uma incrível recuperação, aumenta suas chances de título e pressiona Lauda por resultados.

O incidente em Nurburing envolvendo Lauda, muda não apenas o desfecho do campeonato mas como a vida da dupla.

Durante o filme o envolvimento com os personagens é diferente por conta da brutal diferença de personalidades dos pilotos. É muito diferente da clássica luta do bem contra o mau, nenhum dos dois são heróis ou vilões, são pessoas diferentes que lutam pelo mesmo ideal, com a mesma paixão e diferente dedicações. Ambos consumidos pela diária batalha de superar um ao outro nas pistas, nas entrevistas, nas reuniões ou em qualquer outro lugar.

O filme apresenta um outro ponto de vista sobre a rivalidade que muitas vezes é esquecida. Ser rival ou ter um rival, não é ser inimigo ou desejar o mau de alguém, é simplesmente ter o objetivo de superar, ser melhor, estar em constante evolução porque do outro lado há um oponente que é respeitado, admirado que muitas vezes pode servir combustível para seguir em frente nas dificuldades.

Assistir Rush dá uma tristeza ao ver o que o esporte se tornou atualmente. Antigamente esses “loucos” apaixonados por velocidade, entravam em carros de brinquedos, comparados com os de hoje, com quase nenhuma segurança, desafiando a morte em cada curva. Completar uma corrida e estar vivo já era uma vitória, afinal acidentes fatais eram mais que comuns durante os anos 60.

Se fosse para resumir o filme, a disputa de Lauda e Hunt, a Fórmula 1 nos anos 60 seria possível usar a frase dita pelo inglês: “Quanto mais próximo da morte, mas vivo você se sente.”

O filme foi dirigido por Ron Howard, no elenco além de Chris Hemsworth e Daniel Brühl fazem parte: Olivia Wilde, Alexandra Maria Lara, Pierfrancesco Favino, Natalie Dormer, Christian McKay e Stephen Mangan.

 

Assista o trailer abaixo:

 

Rush - No Limite da Emoção

Rush – No Limite da Emoção