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Passageiros vende uma ficção, mas entrega uma comédia romântica

 

Um trailer que promete muito e um filme, que apesar de prender a atenção com cenas muito bonitas, não entrega nada do prometido. Talvez esse possa ser um resumo bem honesto de Passageiros (2016), “Passengers” em inglês, protagonizado por Jennifer Lawrence e Chris Pratt.

Em “Passageiros” somos apresentados a uma viagem no espaço que está levando 5.000 pessoas do planeta Terra para a colônia HomeStead II. Um planeta descoberto com a promessa de uma nova vida para todos os tripulantes da nave.

Após ver os primeiros 10 ou 15 minutos do filme, somado ao que nos foi apresentado no trailer, é possível acreditar que seremos transportados para uma boa ficção-científica. Ainda mais depois de assistir, recentemente, o sensacional “A Chegada”.

Mas depois de um começo empolgante e promissor, a produção se perde na hora de inserir o romance entre Chris Pratt e Jennifer Lawrence. É sensível a transformação do filme em uma comédia romântica, no melhor nível “água com açúcar”.

Talvez a principal diferença entre “Passageiros” e outras comédias românticas, são as cenas no espaço. O filme tem sua estrutura alterada para um romance de contos de fada, ignorando quase que por completamente o que foi proposto no começo.

Depois que a comédia romântica é instalada, somos lembrados da promessa de ficção-científica, através das belas cenas do espaço. Tão belas, que umas das melhores cenas é quando Chris Pratt, faz uma espécie de bugging jump e é engolido por aquela imensidão escura e cheia de estrelas.

 

Lawrence e Pratt no bar com o robô (Michael Sheen) que servia bebidas

 

A imensidão, aliás, que sempre é “jogada em nossa cara”, mostrando como nossos problemas, conflitos e existência são irrelevantes quando comparadas com todo aquele espaço que ainda é, em sua maior parte, desconhecido.

Já mais para o fim, faltou coragem para tentar salvar o filme. O problema final e a solução, ambos clichês é verdade, pediam uma resolução diferente. Um final corajoso. Mas, mais uma vez, toma-se a decisão mais simples e mais esperada pelo público.

Uma boa surpresa foi a atuação de Chris Pratt, não que ele seja um ator ruim. Mas, sinceramente, achei que ele tomaria uma “surra” frente a Jennifer Lawrence que, convenhamos, é uma baita atriz.

Os dois conseguem ter boas atuações apesar do fraco roteiro, dando a sensação de sempre estarem a frente da história. É como se suas atuações pedissem um pouco mais de complexidade do que o proposto pelo filme.

Apesar de uma grande quantidade de situações inexplicáveis e sem sentido, “Passageiros” é um bom entretenimento. Há cenas que nos deixam impressionados, humor e boas atuações. Vale a ida no cinema como um programa de férias, mas definitivamente não é um filme para os amantes de ficção-científica.

Nota: 6 Stars (6 / 10)

 

 

Pôster do filme Passageiros

  • Bruna Otomura

    Eita Cadu, me deixou com o pé atrás agora viu?! Confesso pra vc que eu estava esperançosa de um bom filme de ficção – nada conta as comédias românticas, amo elas por sinal mas né, se vc não espera… – gosto dos dois atores acho que ajudaria mt pra assistir mas já não sei se seria com a mesma esperança. Talvez esse esteja sendo um erro grande de muitas produções: um marketing tremendo em cima de algo que o filme não tem… quem sabe qd vir para as telinhas normais eu não anime =) gostei do review! Abraços!

    • Fica com medo não @brunaotomura:disqus! hahahahaha

      O filme, dentro de uma comédia romântica, tem bons momentos de ação e belas cenas no espaço e isso é inegável. Mas eles realmente não entregam o que prometem e minha decepção se dá por isso.

      É um filme maravilhoso? Não é, mas ele também está longe de ser um filme ruim. Ele consegue entreter do começo ao fim e as atuações são justas.

      Se você quiser uma boa opção de entretenimento e uma boa opção para comédia romântica – e eu sou um grande fã de comédias românticas – Passageiros vale muito a pena. Mas se estiver procurando uma produção de ficção, como ele foi vendido, não vale o ingresso.