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“O Mestre dos Gênios” mostra o contraste entre dois gênios distintos

“O Mestre dos Gênios” mostra o contraste entre dois gênios distintos

Automaticamente quando pensamos em gênios, já é montada em nossa cabeça a imagem de uma pessoa decabelada, inquieta, cheia de toques, manias, com longos devaneios que não fariam sentido para nós, meros mortais. Mas em “O Mestre dos Gênios” conhecemos a história de Maxwell Perkins – interpretado por Colin Firth – sem devaneios, sem inquietudes, com manias e muito esforço que não o tornam, se é que a expressão exista, menos especial que os demais, apenas diferente.

Pode não parecer sedutor ou romântico, mas a graça da genialidade de Perkins está na racionalidade, comprometimento e manias apresentadas ao longo do filme. Editor responsável pela descoberta de nomes, que são referências na história da literatura, como F. Scott Fitzgeral, Ernest Hemingway e, seu par nesse filme, Thomas Wolfe.

Já Thomas Wolfe, interpretado por Jude Law, é o gênio que nos encanta e aquele gostaríamos de ser. Impulsivo, cheio de vida, pronto para dar o próximo passo sem medo das consquências que possam ter, tudo em busca da perfeição, da evolução, do original e do único.

O filme é, quase todo, desenrolado em cima dos conflitos entre as diferentes personalidade e modos de enxergar o trabalho e a vida. A racionalidade de Perkins se choca com a selvageria de Wolfe, apesar de terem um objetivo comum: contar a melhor história que o mundo já viu.

Enquanto os personagens de Colin Firth e Jude Law se desenvolvem e ganham profundidade, outros personagens e suas histórias – que poderiam “encorpar” mais o enredo do filme – acabam ficando sem segundo plano e, por conta disso, rasos.

Um dos casos é Aline Bernstein namorada de Thomas Wolfe. Na tentativa de mostrar o ônus de um relacionamento com um gênio, a personagem de Nicole Kidman ficou apenas com a imagem de ser obcecada e possessiva por Wolfe, acabando com qualquer chance de sensibilzar o público com seu sofrimento e, de alguma, forma tomar o seu partido durante o filme.

O mesmo acontece com a tentativa de retratar a falta de atenção de Perkins com sua família. No máximo a sensação que nos é transmitida, através da frustração de sua mulher e filhas, é que o editor trabalha demais. Diferente da realidade em que o editor passar dias e noites longe de casa sem estar em contato com sua família, afinal dedicado quase todo seu tempo para editar os textos criados e recriados por Wolfe.

Apesar das falhas “O Mestre dos Gênios” é um filme gostoso de assistir, o envolvimento com a dupla de protragonistas é inevitável. As belas atuações de Colin Firth e Jude Law, aliados à uma bela fotografia e direção de artes permitem que o filme atinja o patamar das boas produções desse ano.

Talvez, por ser um apreciador de filmes baseados em histórias reais, posso estar pegando leve com as falhas, mas a realidade é que sai da sala de cinema com vontade de ver o filme novamente e isso, para mim, é o que caracteriza um bom filme.

O “Mestre do Gênios” estréia aqui no Brasil, depois de amanhã, dia 20 de outubro.

Nota: 6.5 Stars (6,5 / 10)

 

Trailer e pôster do filme

 

Pôster do filme

Pôster do filme