Search for content, post, videos
Esquadrão Suicida poderia ser épico, mas ficou apenas no justo

Esquadrão Suicida poderia ser épico, mas ficou apenas no justo

Antes de entrar no mérito sobre o filme, é importante deixar claro uma coisa: não conheço nada de Esquadrão Suicida. Não li quadrinhos, não vi animações e não conheço profundamente os personagens. O pouco conhecimento que tenho veio de matérias que li conforme o lançamento do filme se aproximava.

Tendo isso em mente, toda a minha análise será com base na soma dessas informações com o que vi no filme. Caso exista alguma falha muito grande na minha análise, sinta-se à vontade para comentar e explicar seu ponto de vista.

Quando entro em uma sala de cinema para ver um universo que não conheço, espero que ele seja apresentado, que os elementos que fazem parte sejam explicados. Que as construções dos personagens, junto com suas motivações, aconteçam na minha frente permitindo que eu crie empatia e, dessa forma, acabe me envolvendo com eles.

E isso, definitivamente, não aconteceu em Esquadrão Suicida. Fui jogado no olho de um furacão, com personagens que já estavam tão desenvolvidos e pareciam estar na continuação do filme e não em sua primeira edição.

O filme começa parecendo já estar da metade para o fim e esse detalhe, na minha opinião, atrapalha demais o envolvimento com os personagens e, principalmente, com a história. O que é Arkham? Por que ela existe? Como esses vilões foram para lá? Existe alguma ligação a mais, entre eles, exceto Amanda Waller (Viola Davis)? Quais suas histórias como vilões?

Para não dizer que existiram apresentações, os personagens Arlequina (Margot Robbie), Pistoleiro (Will Smith) e o Cap. Rick Flag (Joel Kinnaman) foram minimamente – para não dizer porcamente – apresentados, mas cada com suas falhas.

Justificando a transformação da Dra. Harleen Quinzel, psicóloga do Coringa, em Arlequina, foram utilizados flashbacks que mostravam pontos chaves do seu relacionamento e como ela acabou sendo manipulada pelo Coringa. Uma das maiores decepções do filme a personagem foi simplificado a tal ponto que foi transformada em uma espécie de adolescente que queria chamar atenção.

Totalmente perdida no filme, principalmente nas cenas de ação, a personagem ficou na sombra do protagonismo do Pistoleiro, de Will Smith, e ainda refém das poucas aparições do Coringa de Leto. Infelizmente os únicos momentos de atenção que Margot Robbie recebeu foram em cenas sensuais.

O Pistoleiro foi outro personagem que sofreu com sua elaboração. Uma pessoa que ganha a vida como assassino de aluguel, não tem dúvidas do que faz e como faz. Desde o começo o personagem mostra dificuldades com o seu lado assassino e se contradiz em diversos momentos do filme. Principalmente quando se sente tentado a fazer o papel de bonzinho ao menos uma vez na vida.

Rick Flag é o personagem, dentre os principais do filme, que teve a apresentação mais aceitável. A sua motivação de fazer parte do esquadrão faz sentido, mas ainda sim muito pouco explorada, mostrando a falta de cuidado na construção da relação de um oficial do exército com psicopatas e sociopatas.

 

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida e a falta de um universo

Esquadrão Suicida sentiu falta da construção prévia de um universo em que seus personagens fossem apresentados, que o envolvimento entre eles fosse construído ao longe de um ou dois filmes e, dessa forma, o público também compraria o discurso proposto de amizade entres os assassinos e bandidos.

O filme, com fracos recursos de roteiro, escancara como a DC está correndo desesperadamente contra o tempo para tentar recuperar o terreno perdido para a Marvel. Enfiando os pés pelas mãos a DC joga uma série de personagens no lixo como o Crocodilo que é peso morto no filme e o Capitão Bumerangue que tentou ser usado apenas como alívio cômico dentro da produção.

Sinceramente me sinto desconfortável para falar do Coringa de Jared Leto. Não tentarei defender, na minha opinião é a pior versão de Coringa que veio para a grande tela nos últimos anos, porém não consigo entender até onde é culpa do ator – que já mandou muito bem no filme Clube de Compras Dallas, por exemplo – e onde é culpa do roteiro.

Na minha cabeça o filme deveria ter sido feito com atores desconhecidos e necessitava de um ou dois filmes anteriores apresentando esse universo pouco conhecido, pelo público geral, da DC. Entender qual o significado de Arkham nesse contexto, como esses bandidos foram parar lá, os motivos pelos quais eles foram escolhidos e como funciona a relação entre eles já permitiria um maior envolvimento com os personagens, e talvez, dessa forma eu conseguisse acreditar em uma família de assassinos felizes.

Comentarei mais sobre o filme no Pequenas Doses, nosso podcast do Uma Vida qualquer. Aguardem.

  • Carlos Felipe Carreira

    Antes de tudo: de todos os casts e reviews que acessei sobre o filme este foi de longe o mais honesto, já que é o único artigo que o autor não usou de trampolim para se promover como auto didata que já escreve supondo que todos estão (e fingem na maioria) estar entendendo intimamente do contexto ou personagens.

    Ainda não tive oportunidade de ver a franquia, porém, conheço a maioria dos personagens e situações de outros universos como HQs, games, series, animações, etc.

    Não acredito que o problema seja da DC, mas sim da Warner Bros (em português de bar, “dona” da DC) em não acertar a mão no filme da mesma forma que os estúdios da Marvel. Mas apenas os da Marvel.

    Se você considerar as franquias da Marvel que são produzidas por outros estúdios concorrentes diretos da WB, como Quarteto Fantástico, XMen (Fox), Homem Aranha (Sony/Columbia) conseguiram ser um fiasco tão grande que os próprios reboots dizem por si só.

    De qualquer maneira, considero os últimos filmes do universo DC melhores que a leva de Batman que rolou entre o do Tim Burton e Nolan – só por isso, já vale o crédito em assistir, jogar ou ler tudo que rola no paralelo (que aliás, a WB faz muito bem se considerar os paralelos entre filmes e games, como foi o caso de Mad Max e Middle Earth – mas isso é pauta para outro post ;D)

    Enfim, mais uma vez parabéns ao autor por conseguir encontrar originalidade através da simplicidade em um tema tão rico de (des)informados.

    • Realmente, esse é um ponto muito importante nessa discussão. Parece que a decisão final na produção dos filmes é da Warner e não da DC, mas não tenho certeza disso.

      Meu único ponto ainda é o mesmo, sendo DC ou Warner existe um desespero para recuperar um terreno perdido e não focar na construção de um universo que é cheio de detalhes.

      Quando falamos de Homem-Aranha, X-Men ou Quarteto Fantástico consigo aceitar produções dos níveis que foram as últimas. São personagens “galhofas”, não no mau sentido. Mas são heróis originados de picadas de aranha, acidentes radioativos ou biológicos.

      Os personagens da DC são épicos. São, praticamente, deuses onipresentes. E essa densidade se extende por todo universo, não apenas para os mais famosos Batman, Super-homem ou Mulher-maravilha.

      Essa falta de cuidado, seja de quem for, DC ou Warner pode tirar a grandeza desses personagens, essa magnitude inquestionável. E, a falta de cuidado, foi escancarada em Esquadrão Suicida, infelizmente.

      E muito obrigado pelo elogio. Realmente a internet tá cheio de absurdos e dos “entendedores” que falam qualquer coisa – absurdo ou não – para ganhar likes, views e shares.