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Em Logan, conhecemos os sacrifícios e tristezas de ser um herói

Finalmente chegou o tão aguardado filme, para maiores de 18 anos, de um dos mais famosos heróis da atualidade: o Wolverine ou Logan. Um filme que prometia, e cumpriu, retratar a real personalidade, frustrações e angústias de uma vida cheia de tragédias, conquistas e muitos sacrifícos.

Talvez você possa estar pensando que essa crítica vem um pouco tarde ou até mesmo que o assunto Logan já tenha morrido. Mas, confesso, que prefiro escrever sobre o filme quando esse “trem do hype” passa e, dessa forma, tentar ser o mais realista possível.

Um outro ponto para deixar claro: assim como muitas pessoas ao redor desse planeta azul, não gostei de nenhum dos filmes anteriores do Wolverine. E, abusando um pouco da sinceridade, não gosto de nenhum filme dos X-Men. Deixemos esses pontos como base para possíveis ligações com esse universo que ignorarei.

 

Logan é resultado de uma vida de sacrifícios

Pela primeira vez, nos 17 anos em que Hugh Jackman interpreta o Wolverine, me encontrei animado com um filme do personagem. Talvez a trilha sonora do trailer ou quem sabe a “pegada” de vida de merda, tenha acendido na minha cabeça o pensamento: “Agora sim, teremos o verdadeiro Wolverine no cinema”.

E foi exatamente isso que pude ver no cinema. Um personagem que sente o peso de todas as decisões que tomou e das que foi obrigado a tomar, mas não apenas para o seu próprio bem e sim para o bem de pessoas que talvez ele nunca conhecesse. A conta do sacrifício é tão grande que, pela primeira vez conseguimos ver Logan se sobreponde a Wolverine.

Foi sensível a entrega de Hugh Jackman ao papel, momento de vida, decepções e frustrações de Logan. A cada cena transbordavam sentimentos que envolviam o personagem, fazendo com que nossa ligação com Logan crescesse a cada minuto que se passava na grande tela.

A decadência de Logan fica mais estampada quando conhecemos a lastimável situação vivida pelo Professor Xavier, com uma memorável atuação de Patrick Stewart. Ver a mente mais brilhante e poderosa do mundo, vivendo praticamente em um estado de demência foi, com certeza, um dos pontos mais pesados do filme.

James Mangold, diretor do filme, não tem medo de mostrar a dura e deprimente realidade desses que já foram, há muitos anos atrás, heróis responsáveis por salvar o mundo repetidas vezes. Mangold conseguiu encontrar um meio para justificar toda a violência exibida no filme, para que ela não fosse gratuita e superficial.

Escancarar a decadência dos personagens, justifica o cansaço de tentar seguir as regras impostas pela sociedade. A partir do momento que Logan se encontra em queda livre para o fundo do poço, ele pode abrir mão de ideais que um dia fizeram parte de sua vida e resolver seus problemas da forma mais direta e violenta possível. No melhor estilo “fodam-se todos vocês” e, mesmo se encontrando debilitado, ele consegue colocar para fora uma selvageria e violência nunca vista antes no cinema.

Dafne Keen, a X-23, consegue servir de apoio para o desenvolvimento por toda a história, principalmente no último terço do filme. Apesar de não querer criar grandes expectativas e jogar uma pressão descabida na jovem menina, sua atuação é de tirar o chapéu.

A violência e selvageria entregue por ela, foi algo surpreendentemente maravilhoso. Em sua primeira cena de luta, chega a dar pena de todos os bandidos que ela mata com tamanha facilidade e veracidade, que é possível pensar: “Será que essa menina já fez isso antes?”.

Mas, na minha opinião, o grande ponto do filme foi quando Mangold optou por não nos tratar como bonecos que não conseguem raciocinar e fazer as ligações necessárias para um bom desenvolvimento do filme. Ele entrega por toda a história perguntas que nós mesmos precisamos respnder, fazendo com que a atenção seja redobrada para que nenhum detalhe seja passado em branco.

Em Logan conhecemos o lado triste de ser um herói, uma realidade que insistimos em ignorar. A conta por todas as decisões que precisam ser tomadas e os sacríficos, podem acarretar em problemas muitos sérios e sempre será necessário um último sacrífico pelo bem de alguém.

 

Mas Logan é tudo isso que se fala por aí?

Definitivamente Logan é um bom filme, mas hoje vivemos em uma época de contrastes. Filmes, séries, bandas, restaurantes são os melhores ou piores do mundo. Não há espaço para coisas muito boas, boas ou apenas ruins.

Logan é um baita filme, mas está longe de ser o melhor filme da história, como pude ler e ouvir por aí. Apenas se compararmos com os outros filmes do personagem ou até mesmo dos X-Men, com certeza, ele assume o posto de melhor filme com facilidade.

O filme possui problemas, mas nada que atrapalhem o resultado final. São apenas situações que poderiam ser melhores exploradas, nada mais.

Mas a grande graça de Logan é que ele não é um filme sobre heróis, mas sim sobre o resultado de ser um herói ao longo da vida.

Nota:
8 Stars (8 / 10)

 

Em Logan, conhecemos os sacrifícios e tristezas de ser um herói

Pôster do filme