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A Chegada é um sério candidato a melhor filme de 2016

A Chegada é um sério candidato a melhor filme de 2016

Iniciar qualquer introdução que seja capaz de transmitir a satisfação que tive após assistir “A Chegada” é impossível. Talvez, esse, seja o primeiro parágrafo que mais dificuldades encontrei para escrever, afinal a minha opinião se resume em: você precisa, de verdade, assistir esse filme.

É inegável que o objetivo do filme, como o de muitos outros que chegarão no próximo mês, é ser premiado no Oscar. Como melhor filme, melhor roteiro, melhor atriz e, talvez, possa surpreender com indicações de melhores efeitos visuais ou ator coadjuvante. A produção se coloca merecidamente como candidato aos melhores filmes 2016.

O filme protagonizado por Amy Adams consegue descontruir tudo o que vimos até hoje, em ficção científica, sobre o que são e como seria o nosso primeiro contato com alienígenas. Claro que o espanto ou medo, de estar presente frente ao desconhecido, ainda existe, mas diferente de outras produções o contato não é feito a base de força, mas sim com civilidade.

Quem são e dê onde vieram são questões sem importância em “A Chegada”

Por que precisamos imaginar que, a tal vida fora da Terra, não tem nada para aprender conosco? Por que ela não teria nada para nos oferecer, além de uma guerra sem volta? E o mais importante, em um ponto de vista após assistir o filme, por que a relação de tempo, espaço e vida deles seria como a nossa?

São perguntas como essas que tentam ser respondidas em “A Chegada”, mas não de uma forma chata ou tentando ser um roteiro muito mais inteligente do que realmente é. O filme se desenvolve em nossa frente, praticamente, como um tutorial em que as respostas são entregues durante a história e tiram do final a responsabilidade de “amarrar” tudo o que foi dito e feito durante o filme. E isso torna o filme brilhante.

 

“A Chegada” e o poder da comunicação

Quando o Coronel Weber, interpretado por Forest Whitaker, escolhe a linguista Dra. Luise Banks e o físico Ian Donnely, interperatos por Amy Adams e Jeremy Renner, é o primeiro sinal que entender o desconhecido é muito mais importante que simplesmente atacar e iniciar uma guerra sem sentido.

Durante o filme Coronel Weber, que representa a capacidade de ataque, fica a mercê das descobertas feitas, principalmente, por Luise e Ian. É a inteligência, a racionalidade sobreponde o uso descabido e inútil da força bruta.

A própria comunicação entre humanos é colocada em cheque, após a chegada dos alienígenas na Terra. Já que existe uma necessidade, com um toque de obrigação, de compartilhar informações entre diferentes países e seus diferentes objetivos.

 

Luise e Ian aprendendo a se comunicar com os alienígenas

Luise e Ian aprendendo a se comunicar com os alienígenas

 

Então somos apresentados a dois cenários em quem ambos envolvem a comunicação como ponto em comum: entender o desconhecido e conversar com nossos semelhantes. O segundo cenário em um primeiro momento, pode parecer o mais seguro já que apesar de diferentes idiomas, somos todos humanos. Porém, uma conversa entre humanos pode ser tão complicada quanto entender alienígenas.

O filme ainda usa Luise para nos apresentar um novo ponto de vista do que é evolução ou plenitude. É jogado em nossas caras a necessidade de aproveitar cada bom momento presente em nossas vidas da melhor forma possível e mesmo um sofrimento anunciado não precisa ser evitado para que tenhamos uma falsa sensação de conforto ou segurança.

Viver com intensidade bons ou maus momentos é que nos torna capaz de entendermos como e por onde evoluir.

Para finalizar, vamos falar do trio que mais tem destaque no filme: Amy Adams, Jeremy Renner e Forest Whitaker.

A senhora Adams toma conta do filme com facilidade. Sua entrega ao papel é notável, com momentos de emoção, sensibilidade e determinação que demonstram todo o talento que lhe é natural. Jeremy e Whitaker também conseguem ter atuações de respeito, que dão ainda mais corpo para a história do filme.

Mas o grande destaque fica por conta do roteiro de Eric Heisserer e a direção de Denis Villeneuve. A simplicidade e sensibilidade do roteiro para transformar um assunto tão complexo e incrível de forma simples e direta, traduzida em belas imagens e ângulos é o que deixa esse filme ainda mais incrível.

Talvez, esse, seja o último parágrafo que mais dificuldade tive para escrever, afinal a minha opinião se resume em: você precisa, de verdade, assistir esse filme.

Recomendo ler esse artigo do Brainstorm9 que fala sobre o alfabeto alienígena usado no filme e escutar o Rapaduracast sobre o filme.

 

Pôster do filme A Chegada com Amy Adamns, Jeremy Renner e Forest Whitaker

Pôster do filme